Como o contencioso pode ser uma estratégia para melhorar os resultados financeiros da sua empresa?

Por Tatiana Amaral Barreto Ceciliano

No universo corporativo, a expressão redução de custos se tornou quase que um mantra. No entanto, muitas companhias restringem esse conceito apenas ao corte de despesas operacionais ou à renegociação com fornecedores. Mas a ideia é equivocada, embora recorrente. Um contencioso bem administrado, ou seja, preventivo, estratégico e orientado a resultados, pode representar um ganho financeiro expressivo para a sua empresa. Seja pela redução de passivos, pela recuperação de valores ou pela mitigação de riscos que corroem a saúde financeira no médio e longo prazo, tal estratégia é essencial.

O contencioso empresarial integra a estratégia de negócios e dialoga diretamente com indicadores decisivos, como o EBITDA, o fluxo de caixa, as provisões contábeis e o risco à reputação corporativa. Como isso acontece na prática?

Redução de passivos e provisionamento mais inteligente

Cada processo judicial representa um risco financeiro. Algumas vezes, esse risco é até pequeno, porém em outras, potencialmente devastador. Logo, uma gestão contenciosa eficiente permite que a sua empresa possa reavaliar provisões de maneira técnica e alinhada à jurisprudência atualizada, além de identificar processos em potencial de acordo vantajoso, para evitar condenações maiores.

A sua organização ainda consegue acompanhar a evolução de entendimentos nos tribunais, de modo a realizar ajustes estratégicos que possam reduzir a probabilidade de perda. Isso impacta diretamente nos demonstrativos financeiros, dando maior previsibilidade e transparência nas obrigações futuras.

Lembre-se: empresas que fazem tal gestão de forma contínua conseguem liberar recursos que, antes, estavam artificialmente engessados em provisões superdimensionadas.

Recuperação de créditos e valores indevidamente pagos

Muitos litígios, principalmente os tributários e cíveis, compreendem pagamentos indevidos ou cobranças abusivas. O contencioso pode ser um vetor de ganho financeiro quando utilizado para recuperar tributos pagos a maior, reaver valores oriundos de contratos descumpridos e invalidar multas indevidas aplicadas por fornecedores, clientes ou órgãos reguladores.

O alerta aqui é que, ao contrário do senso comum, não se trata de ganhar dinheiro com processos, mas de impedir que a sua empresa perca aquilo que nunca deveria ter saído do caixa.

O contencioso preventivo é uma blindagem financeira

Parte importante dos resultados do contencioso não aparece em balanços, mas em cenários que deixam de acontecer. Assim, quando a sua empresa investe em assessoria jurídica e o especialista trabalha preventivamente, há uma redução drásticas das multas por descumprimento contratual, bem como das ações trabalhistas decorrentes de falhas procedimentais. Os litígios com consumidores que poderiam ser evitados com ajustes simples e as penalidades administrativas por falta de conformidade normativa diminuem também.

Atenção. A prevenção é, muitas vezes, mais barata do que o litígio. Contudo, quando o litígio é inevitável, chegar ao processo com provas organizadas, contratos robustos e histórico documental sólido é o que separa uma defesa eficiente de um passivo milionário.

Acordos estratégicos e redução do tempo de exposição ao risco

Não é novidade que litígios longos consomem o tempo, a energia e o dinheiro de uma empresa. Por isso, decisões bem orientadas sobre acordos tendem a reduzir drasticamente os riscos financeiros futuros e a conter danos reputacionais.

No direito, dizemos que evitar que o passivo cresça com juros, correção monetária e honorários de sucumbência é primordial. Portanto, saber quando propor, aceitar ou recusar um acordo é uma habilidade jurídica e financeira ao mesmo tempo. Não se trata de ceder, mas de enxergar o processo sob a ótica do impacto econômico ampliado.

O alinhamento entre o jurídico e o financeiro é um grande diferencial

Se a sua empresa tratar o jurídico como setor operacional, certamente perderá dinheiro sem perceber. Agora, se houver uma integração dos departamentos jurídico, financeiro, RH e comercial, ela terá uma visão global dos riscos e desenvolverá estratégias unificadas para reduzir litígios. Passará ainda a tomar decisões baseadas em dados e ganhará um ambiente mais seguro para as expansões e negociações. Sendo assim, o jurídico passa a ser uma área de inteligência, não apenas de defesa.

O contencioso é um aliado da competitividade

Para finalizar, é importante esclarecer que um contencioso bem conduzido é um mecanismo de proteção, eficiência e de geração de valor (por que não?). Ele ajuda a manter o caixa saudável, evita surpresas desagradáveis e oferece a sua empresa uma base sólida para crescer com segurança.

Como especialista na Lourenço de Castro, acredito que o contencioso estratégico deve caminhar junto com a gestão da sua organização como um instrumento para fortalecer a sustentabilidade financeira e operacional. O litígio não precisa ser sinônimo de prejuízo. Ao contrário, quando administrado com técnica, visão e planejamento, o respectivo processo pode ser um pilar silencioso para a competitividade. Se restou alguma dúvida, entre em contato conosco. Podemos ajudar a sua empresa.

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